Por que eu fui fazer um MBA tão cedo
Quando decidi fazer o MBA na FGV, eu não estava seguindo um plano tradicional de carreira. Estava vivendo um contexto que me exigia crescer rápido.
Já estava dentro de uma startup de tecnologia, lidando com projetos de IA para grandes empresas, e comecei a perceber que responsabilidade não espera tempo de casa. Ou você cresce para acompanhar, ou fica para trás.
O MBA apareceu como uma forma de acelerar esse processo. Eu buscava mais repertório, mais estrutura no pensamento e mais preparo pra lidar com esse nível de cobrança.
Se você já pensou em fazer um MBA, provavelmente passou por um raciocínio parecido. Só que o que encontrei lá dentro foi diferente do que eu esperava.
O que eu achei que ia aprender
Eu entrei no curso buscando uma base mais profunda em gestão de projetos. Escopo, cronograma, custo, risco, metodologias… tudo isso faz parte do programa e é muito bem estruturado. Você sai com uma base sólida, entende melhor como organizar iniciativas e ganha ferramentas que ajudam bastante no dia a dia.
Mas, com o tempo, percebi que o curso entrega bem mais do que isso. A parte técnica é a base, e o que se desenvolve em cima dela é o que mais fica: uma nova forma de pensar, decidir e se relacionar com o próprio trabalho.
Onde a mudança realmente acontece
A mudança que o MBA provoca é menos óbvia do que parece. Você chega esperando aprender a gerenciar projetos, e percebe, ao longo do tempo, que o curso está te formando pra outra coisa: olhar pra qualquer iniciativa entendendo como ela afeta o negócio como um todo. E isso não vem de uma disciplina específica, vem do conjunto.
Quando entram temas como liderança, negociação e cultura organizacional, fica difícil ignorar que empresas são feitas de pessoas. Mesmo em ambientes técnicos, mesmo em relações B2B, tudo passa por gente. Gente tomando decisão, gente alinhando expectativa, gente lidando com pressão e tentando fazer as coisas acontecerem.
E é aí que projeto começa a ganhar outro peso pra você. Cada decisão técnica está conectada a um contexto maior, esse contexto envolve gente o tempo todo, e não tem como separar uma coisa da outra.
O que mais muda em você é a postura
Esse foi o ponto que mais me marcou ao longo do curso. Quando você entende, na prática, o quanto o relacionamento é central pra qualquer projeto, você passa a se relacionar com muito mais intenção. Cada reunião, cada alinhamento, cada decisão do dia a dia ganha uma camada estratégica: você começa a ler com mais cuidado quem está na mesa, qual a expectativa de cada um, e como aquela conversa se encaixa num quadro maior.
Você passa a considerar mais variáveis, a olhar mais pra frente e a assumir responsabilidade pelo resultado de uma forma diferente. Em algum momento, surge a sensação de que você está construindo alguma coisa maior, e não apenas tocando demandas pontuais. É uma transição que vai se desenvolvendo aos poucos ao longo do processo, mas que muda profundamente o tipo de profissional que você passa a ser.
O aprendizado que ficou de verdade
Se eu tivesse que resumir o principal aprendizado do MBA, não seria uma ferramenta nem uma metodologia específica. Seria a forma como passei a enxergar as pessoas dentro de um projeto, e a forma como passei a tomar decisões em contextos cheios de variáveis.
Autoconhecimento, leitura de perfil, negociação, entendimento de cultura organizacional… essas competências aparecem o tempo todo no dia a dia, e são elas que fazem diferença quando você precisa alinhar gente, resolver problema e entregar resultado. Um projeto bem executado depende muito mais da decisão que você toma do que do método que você aplica.
Como isso se conecta com você
Esse tipo de aprendizado, no fim, não depende de um MBA. O MBA organiza, acelera, te expõe a um ambiente mais estruturado, mas a essência pode ser desenvolvida fora dele.
Independente da área em que você está, você já lida com pessoas, toma decisões e é avaliado pelos resultados que gera. Começar a prestar atenção em como você decide, como você se comunica e como você reage em situações mais complexas já gera mudança real no dia a dia. Com o tempo, isso vai mudando também a forma como você trabalha e, principalmente, o tipo de espaço que você passa a ocupar.
O que de fato fica
Entrei no MBA em busca de uma estrutura mais sólida pra gerenciar projetos. Saí com a percepção de que isso era apenas uma parte da equação, e talvez nem a mais importante. O que de fato fez diferença foi a forma como o curso me forçou a pensar diferente, decidir com mais consciência de contexto e enxergar as pessoas como o eixo de qualquer iniciativa.
Hoje, acredito que o trabalho de gestão é, antes de tudo, um exercício de leitura. Leitura de cenário, de pessoas e de momento. As ferramentas continuam importantes, mas o que sustenta tudo é a forma como você se posiciona diante daquilo que está construindo, e diante das pessoas com quem está construindo.